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Se bem que a
história coletiva das Velas e de São Jorge, não comece com o “Auto Inicial da
Santa Confraria da Misericórdia das Velas”, este representou um passo
importante no relacionamento social e nas “novas oportunidades”, que se abriram
para que o sol, embora com intensidades diferenciadas, “nascesse para todos”.
E o nosso
percurso histórico prosseguiu com muitos “autos iniciais” e com pouca
perseverança na sua continuidade.
Equiparámo-nos
aos melhores nas iniciativas. Falhámos em muitos dos passos seguintes, mas nem
em tudo tivemos iniciativa nem, noutros casos, nos faltou a perseverança.
E assim se fez a
história da Ilha e do Concelho.
Com os altos e
baixos comuns à Humanidade, com a fertilidade e as adversidades que a Ilha nos
foi oferecendo, com a vontade a arritmia que o Jorgense lhe foi imprimindo.
Amarrados a este
rochedo draconiano, feito Ilha, sempre na expetativa do seu acordar violento,
revirámos as suas entranhas quando adormecido e apascentámos docemente, no seu
dorso, a carne e o leite do nosso sustento.
Também para seu
sustento (e dos que ficaram com vontade de sair), muitos tiveram que partir
(com vontade de ficar), regando a saudade com as sacas de roupa que mandavam e
com os dólares dentro das “mal escrevinhadas linhas” que umas e outras
acompanhavam.
E por aqui, os
que teimosamente se aferraram ao basalto e navegaram ondas da temperança, se
foi trocano peixe por batata ou inhame; pão duro, no aquecimento da cozedura
recente da vizinha; a sacha dos milhos por “lavoeira” (já feita ou a fazer); as
“esteiras de junco” da outra ponta da ilha pelo trigo deste lado.
Os artesãos, trocando o seu trabalho autónomo pelo estatuto social e presença secundária na governança (“será sempre um homem da governança, outro oficial mecânico” na Misericórdia e, para as procissões de El-Rei, incluindo mais tarde a de S. Jorge, “cada ofício dará dois membros: o despectivo juiz, com a vara, e um oficial, a bandeira”) fizeram a ponte entre a plebe e o poder. |